UM ANO DE BRASIL E UM NOVO SONHO DE VIAJAR/ UN ANO DE BRASIL Y UN NUEVO SUEÑO DE VIAJAR

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Comecei a minha volta segurando o choro. A viagem me fez dura e especialista em segurar o choro. Mesmo assim, não consegui muito. Ao entrar no avião, saíam lágrimas e dentro de mim, havia uma sensação de aflito. Não desejava muito aquela volta, mas sabia o quanto ela era necessária. Meu dinheiro estava acabando e eu estava com problemas emocionais (cansada e estressada – as viagens não são perfeita) e a escolha, teve sua data por um evento importante. Mas ao tomar essa decisão não pensei muito e por isso, me desesperei tanto no momento. De todas as minhas “voltas”, nunca tive uma tão estranha e desesperada como essa.

Quando o avião decolou de Bogotá me despedi olhando florezinhas brancas ao lado da pista de decolagem, que se balançavam com o vento, parecendo que me davam tchau. O clima estava lindo, muito sol e ao avistar com a subida, minha amada cordilheira, senti minha conexão com a terra.  No meu ipod, começou a tocar Run Run se fue p’al norte, uma das músicas mais importantes durante essa etapa da viagem. Assim, me lembrei de todos os lugares que estive cantando essa música, e, por conseguinte, pensei em todos meus passos dados. Foi tão forte, que naquele momento, saíram muitas lágrimas do meu rosto, me senti poderosa, mas cansada, pois senti que minha vida estava mudando. Escrevi o seguinte trecho:

“Estou no avião. Já coloquei meus óculos para chorar. Sinto-me triste; indo a um mundo que não me pertence mais. Mas sou forte e digo: Voltarei, mesmo se meus pés se emaranhem, essa é minha vida crua e real. Necessito descansar, mas como bem o sei, não posso deixar de viajar, pela gente conhecida, os olhares trocados, os lugares mágicos, as estrelas fugazes, a arte nas ruas, o amor profundo. Agora deixarei de escrever para sentir a ida a esse abismo, ao renascimento. Já selei a minha morte e agora estou pronta para renascer. Adeus Larissa, viajante, dura, pó de estrela. Te levo no meu coração. Até a próxima aventura”.

Essa volta ao Brasil foi diferente de todas as outras.  Enchi-me de emoções, uma mistura de estranhamento com cansaço mental.  Em termos materiais, nem as ruas ou as memórias me situaram na minha cidade. Apenas as araucárias, vista desde a chegada do avião, me deram o conforto de estar voltando para um lugar que já foi a minha casa. De qualquer jeito, ver as pessoas que tanto amo me trouxe primeiros dias muito bonitos. Festejar com os amigos, passar tempo com meus pais e minha querida avó, me empanturrar de comer, dormir muito. É certo que houveram muitas mudanças enquanto estive fora, e voltar para o Brasil, não foi fácil. Saí do Brasil com uma presidente eleita e voltei com um “presidente” imposto - com uma agenda de governo, muito diferente do sonhado. Cheguei durante o estopim da revolta popular e participei das primeiras manifestações. Quando comecei a me encher de raiva e senti o perigo no ar, deixei de participar dos movimentos, por achar que já não poderia fazer bem a mim e nem contribuir tanto, pelo menos dessa maneira De qualquer maneira, senti e sigo sentindo, o Brasil mais desanimado e, o pior, mais injusto com os mais necessitados. Com certeza, isso contribui com uma visão mais negativa da nossa identidade brasileira e latino-americana.

Antes de começar a viajar, em 2015, havia escrito um texto que se chamava: “Meu mundo em ruínas”. Nele, explicava que a minha vida em Curitiba estava ruindo, pois meus melhores amigos iam para outros lados; eu já tinha terminado a faculdade, nada mais me prendia e podia dar vazão aos meus sonhos latino-americanos. Ao preparar aquela primeira viagem, sabia que ao me despedir de coração, minha vida, naquela cidade, nunca mais seria a mesma.  Portanto, ao voltar ao Brasil, sem data para voltar a viajar e sem encontrar aquele mundo antigo, senti inércia e insatisfação por não conseguir me encaixar mais com o mundo, que aqui havia deixado.

 Pensava que ficaria poucos meses no Brasil e logo voltaria a viajar, vivendo minha missão. Mas nem tudo é como a gente quer, e imagina. Os meses passaram rapidamente. Nesses dias, fez um ano.  Um ano, interno e de buscas complicadas.  Foi difícil, mas serviu. Passei horas e horas no meu quarto, reescrevendo meus cadernos de viagem, escutando música andina, caribenha, criolla; compondo músicas, sentindo as fotos e as lembranças com o coração. Enfim, tentando incorporar no meu ser, tudo que vi e aprendi nos meus nove meses e meio de viagem.  Fiz algumas ações do projeto, como oficinas e apresentações de música latina, mas a nostalgia continuou me perseguindo. Por isso, durante esses tempos estive falando com meus amigos que conheci na estrada e todos sentíamos a mesma sensação: a saudade do viajar, do coração profundo e limpo para aprender, das caminhadas longas até algum lugar; troquei cartas com eles e áudios intermináveis no whats app.

Se algo que aprendi ficando parada é que a vida é feita de ciclos. Às vezes precisamos nos movimentar e às vezes, parar. Porém foi nesse parar, que descobri que parte de mim só se realiza na estrada, e é por isso, que não desisti desse projeto. América Latina segue sendo minha viagem de vida e destino. Tudo é voltar e ir, ir e voltar. Por isso em algum momento algo mudou, e resolvi tomar o próximo passo: voltar a viajar, a fazer o projeto LatinoAmérica Desde Adentro ser itinerante. Agora estou planejando a etapa México, para realizar o que nos propusemos com esse projeto: unir a América, os povos! Agora posso voltar a sonhar; estou pronta para reencontrar a Larissa viajante e renascer novamente.

 

Sequência de fotos: 1- Chorando no aeroporto 2- Vista de Bogotá do avião 3- Com bagagem pronta para ir embora 4- Já no Brasil, uns meses depois. 

Secuencia de fotos: 1 - Llorando en el aeropuerto 2- Vista de Bogotá en el avión 3- Con equipaje lista para volver 4 - Ya en Brasil, unos meses después.

Empecé mi regreso reprimiendo el llanto. El viaje me hizo dura y experta en reprimir mi llanto. Mismo así no logré mucho. Al entrar en el avión, salían lágrimas y adentro mío, había una sensación de aflicción. No deseaba mucho aquel regreso, pero sabía lo cuanto era necesario. Mi dinero se estaba terminando y yo estaba con problemas emocionales (cansada y estresada – los viajes no son perfectos) y la elección, tuvo su fecha decidida por un evento importante. Pero al tomar esa decisión no pensé mucho y por eso, me desesperé tanto al momento. De todos mis “regresos”, nunca tuve un tan raro y desesperado como este.

                Cuando el avión despegó de Bogotá me despedí mirando florecitas blancas al lado de la pista del avión, que se balanceaban con el viento, pareciendo que me saludaban adiós.  El clima estaba lindo, mucho sol y al avistar la subida, mi amada cordillera, sentí mi conexión con la tierra. En mi Ipod, empezó a tocar Run Run se fue p’al norte, una de las canciones más importantes durante esa etapa del viaje. Así, me acordé de todos los lugares que estuve cantando esa canción y, por consiguiente, pensé en todos mis pasos dados. Fue tan fuerte, que en aquel momento, salieron muchas lágrimas en mi rostro, me sentí poderosa, pero cansada, pues sentí que mi vida estaba cambiando. Escribí el siguiente texto:

“Estoy en el avión. Ya puse mis lentes para llorar. Me siento triste; yendo a un mundo que no me pertenece más. Pero soy fuerte y digo: Volveré mismo si mis pies se enreden, esa es mi vida cruda y real. Necesito descansar, pero como bien lo sé, no puedo dejar de viajar, por la gente conocida, las miradas intercambiadas, los lugares mágicos, las estrellas fugaces, el arte en las calles, el amor profundo. Ahora dejaré de escribir para sentir la ida a ese abismo, al renacimiento. Ya sellé mi muerte y ahora estoy lista para renacer. Adiós Larissa, viajante, dura, polvo de estrella. Te llevo en mi corazón. Hasta la próxima aventura”.

                Ese regreso a Brasil fue diferente de todos los otros. Me llené de emociones, una mezcla de rareza con cansancio mental. En términos materiales, ni las calles o las memorias me ubicaron en mi ciudad. Apenas las araucarias, vistas desde la llegada del avión, me dieron el confort de estar volviendo a un lugar que ya fue mi casa. De cualquier manera, ver las personas que tanto amos, me trajo primeros días muy bonitos.  Festejar con los amigos, pasar tiempo con mis padres y mi querida abuela, comer y dormir mucho.  Es cierto que hubieron muchos cambios mientras estuve afuera, y volver a Brasil, no fue fácil. Salí de acá con una presidenta elegida democráticamente y volví con un “presidente” impuesto – con una agenda de gobierno, muy diferente de lo soñado. Llegue durante la mecha de la insurgencia popular y participé de las primeras manifestaciones. Cuando empecé a llenarme de rabia y sentí el peligro en el aire, dejé de participar de los movimientos, por creer que ya no podría hacer bien a misma y ni contribuir tanto, por lo menos de esa manera. De cualquier manera, sentí y sigo sintiendo, el Brasil más triste y, lo peor, más injusto con los más necesitas. Seguramente, eso contribuye con una visión más negativa de la identidad brasileña y latinoamericana.

                Antes de empezar a viajar, en 2015, había escrito un texto que se llama “Mi mundo en ruinas”. En él, explicaba que mi vida en Curitiba se estaba volviendo ruina, pues mis mejores amigos estaban yendo a otros lados; yo ya había terminado mi carrera, nada más me prendía y podría dar espacio a mis sueños latinoamericanos. Al preparar aquel primer viaje, sabía que al despedir de corazón, mi vida, en aquella ciudad, nunca más seria la misma. Por lo tanto, al volver a Brasil, sin fecha para volver a viajar y sin encontrar aquél mundo antiguo, sentí inercia e insatisfacción por no lograr más encajarme en aquél mundo, que había dejado.

                Pensé que me quedaría pocos meses en Brasil y pronto volvería a viajar, viviendo mi misión. Pero ni todo es como queremos, e imaginamos. Los meses pasan rápidamente. En esos días, cumplió un año. Un año, interno y de búsquedas complicadas. Fue difícil, pero sirvió.  Pasé horas y horas en mi habitación, reescribiendo mis cuadernos de viaje, escuchando música andina, caribeña, criolla; componiendo músicas, sintiendo las fotos y los recuerdos con el corazón. Al fin, intentando incorporar en mi ser, todo lo que vi y aprendí en mis nueve meses y medio de viaje. Hice algunas acciones del proyecto, como talleres y presentaciones de música latina, pero la nostalgia continuó persiguiéndome. Por eso, durante esos tiempos estuve hablando con mis amigos que conocí en la ruta y todos sentíamos la misma sensación: lo extrañar viajar, del corazón profundo y limpió para aprender, de las caminatas largas hacia algún lugar; intercambié muchas cartas con ellos y audios interminables en el what app.

                Si algo que aprendí quedándome parada es que la vida es hecha de ciclos. A veces precisamos  movimiento y a veces, parar. Sin embargo fue en ese parar, que descubrí que parte mía solo se realiza en la ruta, y es por eso, que no desistí de ese proyecto. América Latina sigue siendo mi viaje de vida y destino. Todo es ir y regresar, regresar e ir. Gracias a eso, en algún momento algo cambió, y resolví tomar el próximo paso: volver a viajar, y hacer el proyecto Latino América Desde Adentro ser itinerante nuevamente. Ahora estoy planeando la etapa México, para realizar lo que nos propusimos con este proyecto: unir la América, ¡los pueblos! Ahora puedo volver a soñar; estoy lista para reencontrar la Larissa viajera y renacer nuevamente.